segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

À espera de um milagre - Stephen King




Autor: Stephen King
Páginas: 400
Ano: 2013
Editora: Suma das Letras
Adicione: Skoob



Sinopse: Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain. Stephen King foi buscar no lado mais sombrio de sua imaginação a história assombrosa de John Coffey, condenado à morte, e seu encontro fatal com o carcereiro Paul Edgecombe. Nas telas, o diretor Frank Darabont recria a história magistral de King, com Tom Hanks interpretando o guarda Edgecombe.





Mais uma vez, chego ao final de uma das minhas leituras do Mestre King. E, como já era de se esperar: eu sabia que ia ser incrível! Claro, King é o mestre dos grandes finais, aliás, não só dos grandes finais, mas dos grandes enredos, aqueles com personagens comuns, que levam uma vida comum, gente como a gente, mas desenvolvidos de maneira a se tornarem grandiosos (e complexos!).

O livro escolhido na minha estante dessa vez foi “À espera de um milagre”. Já havia assistido ao filme, há anos, e a vaga lembrança que tenho dele não impediu que o romance fosse uma das melhores leituras de 2016 (até o presente momento, diga-se de passagem).

O livro, que me levou às lágrimas, inicia com o seguinte enunciado “Aconteceu em 1932, quando a penitenciária estadual ainda ficava em Cold Mountain. E, é claro, a cadeira elétrica também estava lá.”. Com essas primeiras frases já podemos prever que King vai nos guiar pelo obscuro corredor da morte até a “Velha Fagulha”, apelido dado ao adorno em cujo assento ninguém gostaria de descansar.

Com 104 anos, Paul Edgecombe, antigo superintendente do Bloco E da penitenciária de Cold Mountain, conta em detalhes como foram os seus dias de servidor do estado, junto a sua equipe de temporários (Harry, Brutal, Dean e Percy), e sua convivência com os detentos que estavam condenados a passarem pelo Corredor Verde (nome dado ao corredor da morte) e, consequentemente, conhecer a “Velha Fagulha”. Paul Edgecombe narra não só as execuções, mas como era o dia a dia no bloco. A recepção dos detentos, o tratamento aos encrenqueiros (sejam eles detentos ou guardas temporários) e os acontecimentos sobrenaturais que começaram a ocorrer após a chegada de Jonh Coffey, um negro de 1,90m e músculos descomunais, que é condenado à morte, por ter sido acusado pelo estupro e assassinato das gêmeas Detterick. A sua chegada à prisão de Cold Mountain é tão amistosa quanto os seus dias como residente. A medida que a data para sua execução chega, Edgecombe investiga a possível inocência de Coffey que, apesar do seu porte gigantesco, demonstra ter a candura e a inocência de uma criança.

Além de Coffey, personagem que dá vida ao enredo, outras personagens ilustres são mencionadas no romance. Um deles é o francês Delacroix que está condenado à morte por estuprar uma menina e tentar ocultar o crime ateando fogo ao corpo, ato esse que resulta em um incêndio cuja proporção do alcance das chamas mata mais seis pessoas. Durante o período de Delacroix na penitenciária, ele encontra um amigo, Sr. Guizos, um rato amestrado que já reside na prisão e é conhecido entre os guardas como Willie do Barco a Vapor (o antigo nome do Mickey Mouse) e que tem características um tanto quanto peculiares para um rato. Sr. Guizos conquista a todos com a sua inteligência, menos Percy, que no dia anterior à execução de Delacoix, decide acabar com o rato de uma forma muito cruel. Jonh Coffey toma a criaturinha quase sem vida em suas mãos e a faz reviver, devolvendo a Delacroix a alegria de seus últimos momentos antes de sentar-se à Velha Fagulha.

Além de Coffey e Delacroix, outro preso condenado passa seus últimos dias atrás das grades do Bloco E. “Billy the Kid”, como gosta de ser chamado, um jovem de 19 anos cujo nome verdadeiro é Willie Wharthon, e que apesar da tenra idade é um criminoso altamente perigoso (e muito dissimulado!). Não bastasse todo o mal que fez às pessoas enquanto esteve em liberdade, Wharthon dedica seus últimos dias a infernizar a vida dos guardas temporários e dos seus colegas residentes.

Após a terrível execução de Delacoix (a mais horripilante do livro, momento da história em que, inclusive, tive náuseas), Coffey, o próximo da lista, é convidado a viver uma última aventura levando seus “poderes” curativos à esposa do Chefe Moors que sofre de um câncer no cérebro dito intratável pelos médicos da época. Melinda, esposa de Moors, é curada de seu câncer ao receber um toque das milagrosas mãos de Coffey. Nesse mesmo dia, Willie Wharthon é baleado pelo guarda temporário Percy, que enlouquecera após receber uma reprimenda dos colegas de trabalho pelo seu espírito mesquinho e maldoso, tragédia essa que impossibilitará Edgecombe de tentar provar a possível inocência de Coffey.

A história, como todo enredo de King, é emocionante e vale a pena ser degustada como um vinho fino de uma boa safra. O amadurecimento é o que nos leva ao ponto de maior impacto no final, que sem sombra de dúvidas, para mim, foi um dos mais ricos de King... e olha que o cara é o “the best” em se tratando de finais perfeitos.

King opta pela narração em primeira pessoa, fazendo com que Edgecombe narre suas experiências sobrenaturais de uma forma tão realista que é possível vivenciar e sentir cada passo das personagens em direção à Velha Fagulha, cada pico de raiva, cada pedacinho do câncer de Melinda sendo retirado do seu cérebro e a dor sentida por Edgecombe quando ele passa por uma infecção urinária (também curada por Coffey). Sem falar na sensibilidade com que ele traz à tona, no final da história, o Sr. Guizos, ainda vivo, depois de mais de 60 anos.

Esse livro é simplesmente emocionante, surreal, inexplicavelmente maravilhoso! Não consigo nem ao menos concluir essa resenha sem chorar, de dor e de tristeza, sim, mas também de emoção pela belíssima história. Para finalizar, deixo um alerta aos leitores que pretendem encarar a trama: prepare o seu coração, pois certamente a sua vida (pelo menos a literária) jamais será a mesma depois dessa história.
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